Tentar falar de dores antigas que viraram feridas que ainda não cicatrizaram, de pessoas imperfeitas e amor, parece uma tarefa complicada, mais que é assumida pelo longa Entre Idas e Vindas, um road-movie que narra uma história de encontros, desencontros e amor. O filme dirigido por José Eduardo Belmonte, é diferente de tudo que o diretor já fez no cinema.

Na minha avaliação, numa escala de 1 á 5, tem nota 3,5, o filme é uma mistura de drama, comédia e romance, onde no decorrer da história cada personagem vai revelando seus medos, seus pontos fracos e fortes.

Os pontos forte do filme vem do roteiro de Jose Eduardo Belmonte e Claudia Jouvin, que conseguiram trazer e ilustrar de forma simples e sensível relações que acontecem no mundo real e transformaram em ficção. Entre Idas e Vindas conta histórias de amor entre pai e filho, de amizade e perdão, com leveza transmite as relações entre os personagens, traduzindo com pitadas de comédia os segredos que são revelados no decorrer do filme. Outro fator positivo é o elenco do filme, Amanda (Ingrid Guimarães) é chefe de um departamento de telemarketing e é uma mulher contida e fechada, diferente dos papeis que faz na TV e de tudo que já fez no cinema, Ingrid Guimarães dá um show de interpretação em Entre Idas e Vindas, mostrando que é uma atriz de talento e versátil. Já Afonso (Fabio Assunção) é um homem sensível, que tem um amor incondicional pelo filho e que ficou emocionalmente abalado com a separação, agora encontra-se em uma situação que pode solucionar questões mal resolvidas do passado, o seu filho Benedito (João Assunção) um pré-adolescente com curiosidades de criança, acaba descobrindo novos sentimentos, quando as quatro amigas cruzam o seu caminho. Já Sandra (Alice Braga) embarca nesta aventura em busca de respostas sobre o rumo que irá dar na sua vida, impulsiva toma decisões que interferem no romance entre Amanda e Afonso, assim como Krissie (Rosanne Mulholland) que interpreta uma mulher curiosa e antenada e por isso acaba por fazer descobertas sobre a vida do Afonso, Cillie (Caroline Abras) é a mais bem resolvida, alegre e divertida, tem feridas leves mas faz a diferença no fator amizade da trama.

Já os pontos fracos ficam por conta da fotografia que deixou a desejar, considerando os locais por quais passaram, com um contexto de litoral, achei que a fotografia poderia ter sido mais bem explorada. Outro ponto em que eu considero fraco no Entre Idas e Vindas são as trocas de tipo de filmagens, que ora são de filmagem profissional e outra são de filmagem caseira,  as filmagens caseiras aparecem com muita frequência no filme, além disso são muito tremidas, hoje em dia várias câmeras filmam com muita qualidade e não se parecem com o que foi colocado no filme, o que foge da atualidade e não combina com o filme. Posso citar também que o teor de comédia inserido no filme é super sutil e suave, poderia ter sido mais surpreendente.

Ainda assim, Entre Idas e Vindas deixa uma linda lição de que guardamos por muito tempo sentimentos ruins, revivendo e deixando que esses sentimentos influencie em nossa vida, por isso precisamos rever esses conceitos, por que ninguém é perfeito, depois que alguém decide ir embora da nossa vida, mesmo machucado com a partida, precisamos perdoar e encontrar um novo caminho.

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TRAILER DO FILME