Durante a 40° Mostra Internacional de em foi exibido mais de 300 filmes na capital paulista, mostrando o que cinema mumdial anda produzindo, e como certeza, um dos que mais encantou os críticos do mundo inteiro fora Glory (ou Slava no original).

O é sobre dois personagens com vidas sociais completamente distintas, o protagonista, Tsanko Petrov, encontra uma grande quantia de dinheiro nos trilhos do trem onde trabalha fazendo manutenções nas linhas ferroviárias, e decidiu entregar tudo à polícia. Como recompensa, recebe um novo relógio de pulso do Ministro do Transporte, que logo para de funcionar. O problema é que Julia Staikova, chefe do departamento de relações públicas do Ministério dos Transportes, perdeu o antigo relógio de Petrov, fazendo com que ele inicie uma busca desenfreada e desesperada pelo objeto que possui grande valor sentimental para ele, assim como também sua dignidade.

Apesar de ter uma premissa um tanto quanto clichê por sua simplicidade não se deixe levar por sinopses, é na simplicidade de enredo que o filme se torna forte. Glory é um filme búlgaro que ganhou diversos prêmios em festivais internacionais por seu conjunto: execução, técnica e atuação.

1° Motivo: A Direção

A dupla Kristina Grozeva e  Petar Valchanov, é um dos maiores acertos do filme. Eles já trabalharam juntos antes, no tão surpreendente quanto, Urok (A Lição), e agora mostra para que vieram de verdade com Glory, tão forte e marcante quanto o trabalho anterior, contudo ainda mais profundo e carregado de críticas.

Eles possuem uma leveza natural ao comandar a câmera, e também grosseira e bruta, e prova com técnicas nem tão robustas assim como captar a imagem numa fotografia singela e cheia de nuances. Os diretores fazem questão de deixá-la de escanteio nas cenas nos obrigando a ser apenas os espectadores que somos. Tudo que eles tão foco é importante, e às vezes, o que está em segundo plano desfocado também. Grozeva e Valchanov gosta de brincar com as situações propositalmente com planos fechados muito sugestivos, e planos abertos com vários movimentos horizontais e verticais.

O filme começa com um vigorante momento de silêncio onde ali já mostra que precisariamos prestar atenção nos detalhes porque o filme não se preocupa em explicar o que está acontecendo. Quando entramos para a rotina de trabalho de Tsanko entra um curto, mas bonito, plano sequência, e depois durante todo o resto do filme adora balancear os cortes de planos desde o fechado focado em um objeto ou pessoa até a angustiante câmera tremida em um plano mais aberto. E muitos apontam isso como amadorismo, já que o nosso cinema nacional está repleto de filmes com cenas assim, contudo de amador Glory não tem nada, é tudo proposital, e você pode demorar para pegar tudo isso como um estilo marcante da direção, assim como os silêncios e falta de diálogos expositivos.

Além da fotografia outros dois pontos importantes que os diretores souberam trabalhar é esses silêncios e sons ambientes com uma muito delicada aqui e ali, e a capacidade de absorver ao máximo dos atores em cenas assim, tornado a história que está sendo contada mais importante.

2° Motivo: O Roteiro

Esse é com toda certeza o ponto mais forte e importante de Glory. O roteiro é bem desenvolvido cheio de detalhes que podem passar despercebidos. Fora criado cheio de crítica sociais de um mundo pessimista, nu e cru, jogado em sua cara sem nenhum pudor ou cuidado, não acredite que algum momento irão passar a mão na sua cabeça quando começaram a mostrar a corrupção, o contraste social e o sensacionalismo da imprensa.

Tsanko Petrov e Julia Staikova são apenas dois lados da mesma moeda, que é jogada pra cima em vários momentos: ele como pobre coitado e ingênuo atirado por ser honesto no mundo cruel do poder político e da imprensa; ela, mesmo vestindo a roupa de megera odiada e temida por todos em seu trabalho, tem a vida pessoa conjugal conturbada.

O roteiro deixa várias pontas em aberto, inclusive o final, mas não leve isso para o lado negativo, muito pelo contrário, é aquele famoso ditado do mundo do cinema: me mostre e não me conte. E a cada cena você quer vai mais para descobrir onde toda essa trama vai ter seu destino, que por sinal é chocante, mas para que você chegue a tal ponto você tem que ter paciência e saborear cada cena para que, quando esteja totalmente emergido, consiga absorver todas essas qualidades sem achar o filme cansativo.

É especialmente satisfatório quando um roteiro sabe balancear o enredo e humanizar seus personagens sendo construídos com bases que qualquer um pode se identificar, amar e condenar ao mesmo tempo, sem ter necessidade de contar demais.

Uma dica: preste muita atenção nos objetos, eles que comandam o ritmo da narrativa, seja um relógio, uma calça ou um copo de bebida. Todos são artifícios muito bem usados e acrescentam não só para o enredo mas para as camadas dos personagens também.

3° Motivo: Os Personagens e Atores

Por último, mas não menos importante estão os atores intérpretes de Tsanko e Julia, Stefan Denolyubov e Margita Gosheva, que estão fabulosos e titânicos.

Ele tem uma habilidade extraordinária de te comover e te simpatizar, é fácil ter empatia e torcer por ele e se sentir sufocado ao analisar a vida simples que ele leva e as dificuldade de relacionamento que ele possui por conta da gagueira nervosismo. A ingenuidade do personagem é o que mais te dá medo ao contemplar as enrascadas em que ele entra por confiar demais nas pessoas.

3 Motivos Que Tornam Glory Um dos Melhores Filmes Internacionais do Ano O Gabriel Lucas - #OGL

Apesar do roteiro te fazer focar demais nele quem rouba mesmo a cena é ela, Margita, que já trabalho no filme anterior dos diretores. Ela é o tipo de atriz quem várias camadas e possui uma desenvoltura enorme para passar de esposa preocupada com o futuro de sua família para suas relações profissionais. Sua personagem é controladora, obsessiva, perfeccionista e não mede os esforços para sair com êxito na vida profissional, e você, por incrível que pareça consegue torcer por ela também, mesmo que por muitas vezes ela esteja vestindo a roupa de vilã.

O que há de melhor nos dois personagens é o rosto sem expressões exageradas como estamos acostumado em ver, eles passam todos seus sentimentos através do olhar carregado de emoção e de um leve gesto corporal e movimento rígido labial.

Você vai amar odiá-la e vai odiar amá-lo.

Cada um figura um lado da mesma sociedade e o filme explora muito bem esses contrastes e no final você vai ficar de boca aberta querendo por mais dos dois.

3 Motivos Que Tornam Glory Um dos Melhores Filmes Internacionais do Ano O Gabriel Lucas - #OGL

O filme Glory pode até não ser o melhor filme que você verá em sua vida, mas será um dos melhores que verá esse ano. É um bem detalhado desenvolvimento de camadas de personagens em um roteiro simples repleto de críticas sociais, mas muito bem escrito e executado por sua direção.

Uma crítica por: Gabriel Mariano

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