Já parou por um instante e se deu conta de que toda a arte existente é devido o nosso mundo sentimental? Quando um cantor decide compor uma música a partir de algo que ele vivenciou, quando um pintor desconta suas frustrações e imaginações em um quadro.. E é disto que iremos dar conta hoje! O desenho infantil que antes, observado como apenas uma distração para as crianças, hoje se tornou um caso de estudos.

É evidente que muitas crianças trabalham melhor as suas imaginações no papel, e isto se tornou um instrumento essencial para os psicólogos, já que assim a criança consegue se expressar bem mais abertamente do que dialogando e discutindo a respeito sobre os seus pensamentos.

Um detalhe comum e bem notável é que você dificilmente verá uma criança se desenhando ao lado dos pais, eles sempre optam por desenhá-los entre os pais, pois é onde se sentem seguros e confortáveis. Caso ocorra o contrário, pode indicar diversos fatores como a falta de atenção ou a presença do responsável na vida da criança.

Muitos pais fazem descaso deste assunto por não saberem que de certo modo, mesmo que aparente fútil, é importante dar atenção SIM aos rabiscos das crianças e deixarem com que elas se expressem livremente para que assim você entenda como o estado psicológico emocional da criança aparenta. O importante, se achar preciso, é recorrer sempre a um especialista e não auto-diagnosticar a criança e colocá-la contra a parede questionando o porquê do tal rabisco.

Um que aborda todo esse fato, com e desenhos para que o leitor possa descobrir mais esse trabalho psicodinânimo, se chama “A linguagem dos desenhos” por Abrahão H. Brafman. Ele nos apresenta várias crianças, que por meio do desenho, pôde enxergar os seus medos ou inseguranças diante o papel e superá-las.

O desenho trabalha com o inconsciente do ser humano, e lá é onde são armazenadas todos os nossos sentidos e emoções. Ou seja, enquanto a criança desenha ela não tem a consciência de qual desenho irá surgir. Ela pode começar com uma ideia e acabar com uma outra completamente o contrário, pois o nosso incosciente interfere em nossas ações, nos permitindo fazer coisas que nem se quer tínhamos a intenção.

O tamanho do papel representa muita coisa também, os que são tímidos e introvertidos optam por folhas pequenas, enquanto os que adoram soltar a imaginação e expor seus desejos, gostam de folhas grandes. Outras características são o modo como a criança colore, se força o lápis ou apenas desliza levemente no papel, o vício da , se a criança sempre desenha coisas que gostaria de ter ou abusa da certeza de que o que desenha é real, criando uma certa superioridade aos demais ao seu redor e etc.


Um trecho do livro:

“.. Essa menina de 11 anos foi mandada para nossa clínica por seu clínico geral. Ela vinha se queixando de pesadelos e de vários sintomas físicos que frequentemente a impediam de ir à escola[…]”[…]Decidi pedir a ela que fizesse um desenho. Ela me perguntou “desenho de quê?” mas eu respondi que desenhasse o que bem quisesse[…] “[…]Ela desenhou em detalhes os vários caminhos ligando as casas e os blocos de apartamentos e via-se um homem andando por uma dessas passagens. Raquel conseguiu descrever todos esses detalhes sem dificuldades, mas negou firmemente que qualquer dos detalhes tivesse algum significado especial[…]”[…]da parte de cima, pareciam traçar a figura de um animal..coloquei outra folha de papel em cima do desenho dela e copiei o que eu achava ser o contorno de um animal..””..O rosto de Raquel se iluminou em um sorriso amplo e saiu contando detalhes de seus pesadelos, em que monstros ameaçavam atacá-la, e ela explicou que os monstros pareciam exatamente o animal/monstro que eu desenhara.” “Quando vi a família novamente, soube que Raquel não tivera mais pesadelos..”

A linguagem dos desenhos: uma nova descoberta no trabalho psicodinâmico, de Abrahão H. Brafman O Gabriel Lucas - #OGL A Linguagem dos Desenhos
Abrahão H. Brafman
Psicanálise
Blucher
2016
14 x 21 cm
151
A linguagem dos desenhos: uma nova descoberta no trabalho psicodinâmico, de Abrahão H. Brafman O Gabriel Lucas - #OGL

É parte da natureza humana sofrer conflitos emocionais sem conseguir colocar em palavras os fatores relevantes que poderiam elucidar a origem dessas vivências. Como é sabido, crianças e adolescentes frequentemente fazem desenhos durante uma psicológica. Assumindo que esses desenhos tentavam comunicar experiências traumáticas, Brafman encontrou casos em que, quando vários desenhos haviam sido feitos, a superposição de dois dos desenhos podia revelar o conteúdo da inconsciente que causara os sintomas patológicos. Como acontece com a linguagem verbal, aqui encontramos ideias inconscientes divididas em mensagens separadas que, vistas individualmente, não revelariam o total da vivência emocional. Este livro descreve alguns desses casos – verdadeiros exemplos da linguagem dos desenhos.

*Enviado pela editora para crítica