Depois de rodar por mais de um ano em festivais, com estreia no dia 03 de novembro, 13 Minutos é o mais novo realizado pelo alemão Oliver Hirschbiegel que chega ao Brasil contando a do homem que tentou matar Hitler, o diretor é multipremiado em “A Queda! As Última Horas de Hitler”, só que agora mais uma vez cria um filme muito aclamado pela crítica pela abordagem.

Em 8 de dezembro de 1939, George Elser, um carpinteiro anti-nazismo, colocou uma bomba atrás da tribuna usada por Adolf Hitler que faria um discurso em comemoração ao 16º aniversário da tentativa de golpe de estado contra a região da Baviera em Munique. O atentado foi preparado de forma minuciosa, mas o líder nazista deixou o local 13 minutos mais cedo do que esperado por forte neblinas que atingiram a área. O plano poderia ter evitado a e a morte de milhares de pessoas se tivesse dado certo. Contudo a explosão matou 7 pessoas e feriu 60.

A coisa mais importante a se deixar clara é que o filme não fala da tentativa de assassinato em si e sim de um homem, interpretado brilhantemente por Christian Friedel, que passa todo seu enorme talento premiado com um passado solidário e apaixonante.13 Minutos é uma ótima forma de olhar para o contexto de um ponto de vista diferente. Cai do cavalo aqueles que acreditam que o longa vai abordar mais aprofundadamente o plano mirabolante de assassinato, o foco dele é mais no protagonista do que sua ideia .

Um dos aspectos mais interessantes é o diretor dizer que gosta de trabalhar sozinho. “Eu não tenho interesses exclusivos, tenho uma crença profunda e interior, uma necessidade. Tem haver com liberdade, liberdade de expressão, de movimento, liberdade individual, todas as coisas que aprendo e estou a aprender ainda” declara diretor em entrevista sobre o filme.

 

A ambientação não é muito rica, tudo fica muito por conta da caracterização, maquiagem impecável e interpretação sutil e ambiciosa dos personagens, tudo é muito conceitual, já começando pelo cartaz que passa uma forte imagem que será batida na tecla durante a maior parte das cenas.

O filme também uma forma de fazer com que o telespectador encare com mais profundidade os bastidores do acontecimento sobre o fator humano, como as razões pessoais ou não para cada personagem tomar cada atitude. Com pequenos detalhes o filme faz com que você veja que tudo faz parte de um plano ainda mais superior e grandioso que você sabe que está por vir que basta levar em consideração o quadro completo da trama.

É possível repararmos como conflitos privados e públicos tendem a mesclar o tempo inteiro na situação política, mesmo que o protagonista não tenha se vinculado a nenhuma causa partidária para realizar tal feito, e é quase impossível tomar partido ao ver as vertentes.

Um dos aspectos que faltam é a empatia que público deve ter para com cada personagem, tudo faz parecer que não é para importarmos com os personagens, fazendo com que o aspecto humano caia demais em cenas tediosas sem tanto propósito e que levam a lugar algum em um segundo ato comprido demais. Tudo sempre o leva a crê que o diretor irá te surpreender mais, aí você se dá conta que já viu o bastante e de tudo o que há de melhor para oferecer e que não receberá ousadia nenhuma mais além.

O filme seria muito mais bem visto se fosse tratado mais como uma biografia de Elser do que somente um incidente, tem muito romance para preencher lacunas também, papel este muito bem preenchido por Katharina Schüttler que merece palmas juntamente com Udo Schenk, intérprete de Hitler, vale também mencionar que você pode ser levado a acreditar na superficialidade dos atores menores, mas é tudo muito proposital. Contudo ao se mencionar Hitler fica impossível não dar a ele o devido foco narrativo.

A classificação do público é de 14 anos, porém mentes mais jovens podem não captar tudo o que o filme passa e as mensagens que o diretor quer passar. É mais um filme que chega a surpreender por sua funcionalidade mas perde por sua ousadia que poderia ter arriscado muito mais além de se perder em cenas do cotidiano além do final dos anos 30. O longa não é muito nada além disso e de interpretações dignas de indicações.

Tanto o roteiro quanto a fotografia são genuínos, diálogos sutis dentro sempre de uma imagem bem cinza que demonstra palidez e frieza, ambos aspectos trabalham como um perfeito conjunto para criar o clima ideal para o tema como esse. Tudo prova que o cineasta sabe o que está fazendo acima de tudo e entende muito bem do que está mostrando.

Por último vale a pena ressaltar que o drama baseado em história real foi grande destaque no 65º Festival de Berlim & 40ª Mostra de Cinema de chamando muita atenção dos críticos presentes.


FICHA TÉCNICA:

CINEMA: 13 MINUTOS O Gabriel Lucas - #OGL13 MINUTOS
Alemanha | 2015 | 110 min. | Drama

Título Original: 13 Minutes aka Elser
Direção: Oliver Hirschbiegel
Roteiro: Léonie-Claire Breinersdorfer, Fred Breinersdorfer
Elenco: Christian Friedel, Katharina Schüttler, Burghart KlauBner
Distribuição: Mares Filmes

Sinopse: Uma biografia de Georg Elser, o homem que tentou matar Adolf Hitler. Em 8 de novembro de 1939, Elser implantou uma bomba atrás de um púlpito usado por Hitler, em Munique. Mas o Führer deixou o local mais cedo que o esperado, contrariando o plano que poderia ter evitado a Segunda Guerra Mundial. DO MESMO DIRETOR DE “A QUEDA: AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER” E DESTAQUES NO 65º FESTIVAL DE BERLIM & 40ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO.