A distribuidora Mares nos presenteia com mais um indicado ao Oscar de filme estrangeiro, agora com a Suíça e seu “Mulheres Divinas”.

Além da indicação, ele ganhou o prêmio de público como melhor filme no festival Tribeca de 2017. Também passou na nossa mostra realizada em , onde foi destaque.

E ,sim, vale muito a pena conferir .

O final da década de 60 e início de 70 trazia mudanças e revoluções ao redor do mundo : primavera de Praga, Woodstock e protestos contra a guerra do Vietnã nos EUA, maio de 68 na França com estudantes e trabalhadores enfrentando de Gaulle, e, na Suíça, no vilarejo retratado pelo filme, nada acontecia.

As mulheres eram donas de casa, por vezes também operárias, mas deviam aos maridos obediência, à Igreja sobriedade, à sociedade em geral silêncio, devoção, bondade, castidade, contenção.

Eis que uma a uma elas vão despertando para seus direitos básicos, começando pela possibilidade de voto, e passando pela divisão de tarefas domésticas e dos filhos, chegando ao ápice (!) na possibilidade de sentir prazer em suas relações sexuais.

Filme: Mulheres Divinas O Gabriel Lucas - #OGL

Nossa protagonista Nora (a atriz Marie Leuenberger) vai até a cidade grande e entra em contato com as mulheres reivindicando o direito ao voto, sai no jornal, e começa a ser perseguida e considerada persona non grata por toda a cidade.

Seu marido a ama e quer apoiá-la, mas se vê rodeado de machistas reacionários que não lhe permitem mostrar essa sua inclinação.

As mulheres começam a se reunir e tentar juntar suas forças para impor as mudanças necessárias.

Filme: Mulheres Divinas O Gabriel Lucas - #OGL

Infelizmente, como acontece até hoje, muitas mulheres, em busca de , incorporam o discurso machista e atacam aquelas que estão em busca de igualdade de direitos. Também tentam diminuir a capacidade e o valor das “progressistas”.

Em um certo momento acontece uma greve feminina. Geral e irrestrita. Os homens tentam sobreviver, mas isso se torna insuportável para eles.

Lembra a música de Chico Buarque “Mulheres de Atenas”, que canta mulheres completamente submissas, e sabemos que sua letra diz “mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas”, mas está na verdade dizendo “não se mirem”. Ou está, mais ainda, nos chamando para conhecer Lisístrata, a personagem de teatro ateniense que deflagrou uma greve de sexo entre suas companheiras, fazendo com que a guerra entre Atenas e Esparta terminasse.

É um bonito e inspirador filme, que nos faz refletir sobre a pressão social em nossa individualidade, no quanto podemos agir como cordeiros num rebanho sem pensar em cada atitude de maneira individual.

A caracterização da época ficou muito boa, com os cortes de cabelo, as calças coloridas de boca de sino, e o quanto a palavra feminismo significava praticamente um palavrão, não uma simples busca pela igualdade.

As outras mulheres do filme trazem uma linda força ao movimento, há uma senhorinha adorável que está sempre junto dela que não se parece em nada com as vovozinhas que idealizamos, aquelas criaturas boazinhas que fazem bolo para a família e vão à missa aos domingos. (Só isso).

O filme estréia no Brasil no dia 14 de dezembro, e deve ficar na sua lista do que assistir este ano.