Uma menina sub-empregada (faz bicos num bar decadente, e ocasionalmente é garçonete em festas particulares), moradora da periferia, morando com a alcoolista e a avó adoentada, gorda, branca aspirante a rapper, pode ser um personagem interessante para um filme?

Obviamente que sim, depende de um bom roteiro e um bom diretor.

Patti Cake$, Estréia nesta 5ª feira nos cinemas brasileiros.

A aspirante a rapper, branquela e sardenta, não se importa, ou finge não se importar, com o apelido nada agradável que recebeu no bairro. Chamar um gordo de gordo pode ser mais óbvio? Pois nas oportunidades que tem, ela vai responder, com rimas, que o machão que diz não sentir por ela nenhuma atração, na verdade tem um pênis que é pequeno e não funciona muito bem.

As suas pequenas ganham uma dimensão maior, ela se torna uma heroína. Mantém laços de amizade, em com seu amigo indiano, balconista numa farmácia, ampara a mãe, ex-cantora, apesar dela zombar de suas aspirações, e ainda cuida da avó, com todo carinho.

Uma vida difícil, cada centavo ganho a custa de muito suor, traz uma dimensão humana a cada um desses personagens, conforme se apresentam.

Filme: Patti Cakes (Crítica) O Gabriel Lucas - #OGL

O indiano também é músico, faz a batida das letras que ela cria.

Num show que eles assistem, conhecem um “anarquista satanista” que vive fora do sistema, um negro de cabelos estilo rastafari, que vaga por diversas cidades carregando uma mochila. Anda empurrando o seu som num carrinho, pelas ruas. Essa nossa querida outsider vai tentar quebrar o gelo e se aproximar também dele. Com a avó na cadeira de rodas, está criada a “banda”.

O interessante é que para eles não importa tanto serem ou não (re)conhecidos, o mais necessário é se expressar através das letras, que ela vai desenhando num caderno ou bloco de notas, onde quer que esteja. Representa a alma de uma verdadeira artista, que primeiro quer se expressar, e não necessariamente precisa do reconhecimento de seu valor .

A loirinha se olha no espelho e se encanta , manda um beijo de bom dia e vai trabalhar com afinco, pouco se importando com alguém lhe dizer o quanto ela é bonita, ou capaz. Ela chega na sala do patrão pedindo aumento, e dizendo :  “_Eu sei que trabalho bem pra caralho!

Com a ajuda significativa da , nos apaixonamos. Por todos eles.

O americano “ralé” não aparece muito nos filmes, vemos mais policiais destemidos, mulheres deslumbrante(mente) magras e sedutoras, gênios, quando não super heróis, os filmes de maior sucesso . É muito bom, pelo menos para mim, ver um karaokê escuro e sujo frequentado por bêbados desafinados .

Um pouco de cai bem.

Filme exibido no festival de Sundance, participou do festival do Rio.

Direção e Roteiro : Geremy Jasper.

Elenco : Danielle Macdonald (Patti), Bridget Everett (Barb), Siddarth Dhananjay (Jhen), Mamoudou Atie (Basterd), Cathy Moriarty (Nana).

Assistimos a uma sessão especial a convite da distribuidora no Brasil RT Features, no cinema Belas Artes.