Neste finalzinho de ano há ainda alguns no cinema que podem valer a pena. A convite da Imagem , fui conferir o novo de Woody Allen, com previsão de estréia no dia 28 de dezembro.

O cenário é Coney Island,  uma praia lotada de turistas medianos, que frequentam o parque de diversões (e sua roda gigante), e comem alguma porcaria nas lanchonetes espalhadas pelo “calçadão”, um  grande deque de madeira. Estamos na década de 50, com os maiôs comportados e os carros estilo “banheira”.

Uma família um tanto quanto disfuncional conta com um marido que quando bebe se torna violento, sua esposa infeliz, Ginny (Kate Winslet) uma garçonete e ex-atriz que busca consolo nos braços de um salva-vidas mais novo e sonhador. Além do filho piromaníaco dela.

Para completar o quadro, chega à cidade, sem nenhum , fugida do marido gangster e sua turma, a filha dele.

O pai, Humpty (Jim Beluschi) defende a “coitadinha” de sua filha Carolina (Juno Temple), como se fosse vítima da situação na qual se colocou. Ela tem a dizer que vivia num mundo de ilusão , com muitas facilidades, mas que se arrepende de ter se envolvido com assassinos. Aparece na vida deles pedindo ajuda para se esconder dos “mafiosos”, já que contou ao FBI alguns segredos em troca de sua liberdade.

O salva-vidas Mickey ( Justin Timberlake) vive um intenso romance com a quase quarentona, sem no entanto prometer muito ou se deixar levar pela emoção.

Filme: Roda Gigante, de Woody Allen O Gabriel Lucas - #OGL

Para complicar um pouco a trama, Ginny apresenta a enteada ao amante, e os dois ficam encantados um pelo outro.

Seu marido alterna o trabalho no carrossel do parque de diversões e a pesca com amigos, com crises de raiva e a vontade de voltar a beber.

O garotinho coloca fogo em quase tudo que vê pela frente. Precisa de apoio psicológico.

A musiquinha que embala as ações, na narrativa feita pelo bonitão, tem bastante banjo, e não foge do estilo habitual dos filmes do cineasta. A sensação de já haver visto um filme semelhante a esse permanece durante todo o , e não há grandes surpresas ou reviravoltas.

Não há muito humor, não há muita paixão, não há nada de arrebatador . Apesar de agradável, não é um filme  inesquecível.

Surpreende a atuação de Justin Timberlake, esse talento o diretor tem bem aguçado, o de descobrir grandes atuações possíveis em pessoas que não haviam sido imaginadas num papel dramático . Ele convence como um poeta escondido num corpo bonito e de olhar profundo. A atuação de sua parceira também está ótima, uma mulher encantadora e ao mesmo tempo madura, insegura de seus atributos e da capacidade de viver um grande amor.

Woody Allen é um de meus cineastas prediletos, imagino ter visto todos os seus filmes. Esse não é um dos melhores, mas não posso desmerecê-lo por isso. Gosto muito do fato dele voltar a filmar nos Eua, e se concentrar em contar uma estória bem contada. O único porém é o fato dela não ser emocionante o bastante, para o meu gosto.

Ainda está acima da média do que os EUA produzem. Ainda vale o nosso tempo e o ingresso.