Até que enfim resolveram fazer uma boa de uma heroína dos quadrinhos! Eu já estava começando a me esquecer de como a DC tinha personagens com um arco interessante, provando que apesar dos fracassos estão caminhando na direção correta.

Com total certeza o dia primeiro de junho vai abrir uma nova era para os super-heróis da DC que vai deixar todo feliz. Tudo isso é ocasionado pela a estreia de Mulher-Maravilha, não muito aguardado com velhos erros, mas com acertos espetaculares novos que vale a pena serem citados aqui.

Diana é a princesa das amazonas, interpretada pela nem tão maravilhosa assim Gal Gadot, que treinou durante anos para ser a maior guerreira do mundo prestes a entrar realmente em uma guerra, e essa , apesar de muito subestimada, é realmente boa e cativante de se ver. A maior responsabilidade por conta dos acertos desse é da diretora Patty Jenkins, sim uma direção feminina forte, para um filme feminino forte, contudo, para muito machão por aí também gostar e ignorar os defeitos.

O maior ponto positivo do filme é a protagonista, mesmo que nela também existam alguns pontos negativos que irei citar. Diana é uma mulher de muitas facetas e quem não a achou tão maravilhosa assim quando ela fez sua primeira aparição em Batman vs. Superman no ano passado vai ter que voltar atrás e rever seus conceitos sobre ela. Diana é forte, não só fisicamente, como também nas , ela sabe lidar muito bem com as situações mais diversas apresentadas. Porém ela faz tudo o que é imaginável para um herói convencional sem perder sua doçura e ingenuidade. Diana é uma mulher, coisa que, quando falamos em matéria de super-heróis, esquecemos, e como uma mulher de verdade ela mostra as principais características de uma que nos fazem admirar, todas as atitudes de Diana, até mesmo as cenas de ação, servem para humanizar a personagem, e devido ao politicamente correto ou ao machismo esquecemos o quanto gostamos de ver uma mulher forte de verdade. Mulher-Maravilha é um filme que invoca belamente o arquétipo sem convenção fixa da mulher contemporânea romântica, mas brutal, onde existem elementos que reforçam o senso do que seria o certo em momentos de injustiças na humanidade.

A direção trabalha tão bem com essa personagem que fica difícil não colocar ela no topo dos mais bem pensados e realizados do universo da DC cinematográfico até agora. Parece que realmente a produtora cansou de fazer coisas bem boca ou ruins, como no ano anterior, e resolveu investir no que realmente o público gosta.

Tudo no roteiro flui tão bem que, ao ver as funcionalidades na tela, percebi que até os pequenos elementos como a roupa e os poderes dela são completamente sem necessidade de verbalização. Realmente parece que toda a produção conhece a personagem dos quadrinhos para extraírem o máximo dela, e isso fica evidente toda a vez que a câmera foca na Diana, você sente um friozinho na barriga esperando para ver qual será a próxima coisa inacreditável que ela vai fazer, ocupando um espaço muito importante na fotografia do filme. Por culpa da diretora, felizmente, Diana não é sexualizada, é aquele famoso ditado: sexy sem ser vulgar. Chega de peito e bunda, não que ela não tenha, mas não precisamos disso para achá-la atraente.

Agora vamos para minha parte chata, onde sinto compromisso em citar as negatividades do filme.

O filme também possui personagem coadjuvantes chamativos e outros desnecessários, figurinos bem bonitos só que exagerados, e um alívio cômico cansado, mas gostoso e engraçado na medida, mesmo sempre eu querendo ver eles ousarem irem mais além das babaquices de uma mulher inabitada em uma cidade grande e aos costumes acerca da sociedade, tudo fica muito débil e mecânica nela.

Mulher-Maravilha e a Maravilha de Ver Uma Heroína de Verdade O Gabriel Lucas - #OGL

Apesar do filme ter cenas de ação memoráveis e de causar uma certa nostalgia é nesse momento em que enxergamos os defeitos do filme. Ao ver Diana em ação fica impossível não lembrarmos do Capitão América da Marvel: alguns vão acabar saindo do cinema rindo dizendo que Mulher-Maravilha é a versão sexy power dele, e talvez isso seja um problema evidente, ou não também, nem tudo o que é bom é cópia, e nem por isso tudo o que é cópia é ruim. Mas o problema reside em na dificuldade da direção de enxergar o plano mais longo além da protagonista. O filme não anda bem se câmera não tiver nela, durante as cenas de ação, queia ver mais uma amplitude da batalha, encher muito mais do que uma mulher em câmera lenta o tempo inteiro dando milhões de piruetas entre porradas e chutes. A princípio é lago, mas depois da segunda cena assim você fica imaginando tipo: tá, o filme vai ser sempre assim? Mulher-Maravilha renova, mas não se renova. Sempre fica no ar que ela tem chances de te mostrar mais de algo diferente já que o filme é totalmente diferente dos outros, mas não, ele entra em um círculo vicioso de si mesmo, cheio de probleminhas chatos, mas que graças, não estraga a experiência de ninguém. Qual é o filme de super-heróis que não tem nenhum defeitinho? O maior deles talvez seja nas cenas enjoadas demais ou no roteiro forçar em Diana parecer boba demais em seus diálogos menos importantes.

Tanto fãs quanto novatos irão gostar, mesmo que enxergam efeitos bagunçados e acontecimentos toscos na metade do filme.

Apesar de tudo, em um ano onde os filmes só geraram expectativas e decepções, Mulher-Maravilha veio pra mudar o quadro, vá ver quanto antes esse filme, expectativas demais nem sempre é algo tão ruim assim, você talvez também possa achar quanto é bom ver uma heroína de verdade além dos musculosos sem cérebro. Ansioso pra ver Liga da Justiça só por causa dela.

Crítica por: Gabriel Mariano