Um homem . Um outro homem. Um deles diretor de de sucesso na televisão argentina. O outro o ator principal , um ídolo popular em seu país.

Eles eram amantes , apaixonados. O diretor, casado e com uma filha.

Sem vontade de ser renegado a um segundo ou terceiro plano na de Martin , Nico decide partir para Nova Iorque e tentar a vida por lá.

Nada de bom acontece.

Vive de pequenos bicos : é babá do filho pequeno de uma amiga , garçom num bar badalado, ajuda uma pessoa que tem um apartamento a alugá-los para estrangeiros de passagem pela cidade.

Nem um lugar para morar consegue pagar, dorme no sofá da casa de uma amiga.

Por onde passa , podemos sentir a solidão que lhe acompanha. Ama o bebê dos outros, vive na casa de alguém, não tem um amor ou uma paixão, e procura trabalhar como ator, incessantemente, sendo que ou aparecem empecilhos financeiros, ou o consideram um ator “não latino o suficiente”.

Encontra refúgio em alguns copos de bebida alcóolica, em algumas aventuras sem compromisso, e na conversa divertida que mantém com outras babás no parque onde leva seu bebezinho. O que achamos de Ninguém está olhando? O Gabriel Lucas - #OGL

O convívio com as outras imigrantes , a meu ver, poderia ter sido melhor aproveitado , renderia mais material de qualidade, do que aquilo que aparece em cena. É uma pincelada superficial na grande distância entre as vidas de quem pode pagar uma profissional para educar e conviver com seu filho, e quem , muitas vezes, não tem absolutamente vida própria , para viver em função de outros. Uma boa babá em NY é um “artigo de luxo” a que poucos têm acesso, mas elas são completamente anuladas como pessoas. Assim como nosso personagem , que desaparece por lá.

A lembrança de seu amor irrealizado o acompanha e o atormenta. Se vivessem em outro local, se não houvesse cobranças de esteriótipos ( como do ídolo de TV másculo e heterossexual) poderia estar realizado e sem sentir esse imenso vazio.

Se ninguém estivesse “olhando”, julgando, cobrando, apontando, ou condenando, o seria mais simples, A vida das pessoas seria menos melancólica , como nesse , ou dramática, como em tantos casos que envolvem depressão, suicídio, violência, assassinatos.

Acompanhamos a jornada de nosso pequeno herói em busca de seu lugar no mundo. Ele precisa de amigos que lhe auxiliem. Alguns surgem espontaneamente, outros ele força um pouco a barra para conquistar, como uma poderosa produtora de TV nos Eua.

O desempenho de Gillermo Pfening lhe rendeu o prêmio de melhor ator de 2017 no de Tribeca , e no Cine Ceará o filme conseguiu 3 prêmios : melhor longa, melhor ator, e melhor edição .

A brasileira Lucia Murat é co-podutora do filme, e temos a participação de alguns atores brasileiros também.

Assistimos ao filme a convite da Vitrine Filmes, distribuidora no Brasil, e ele estréia no dia 23/11 no Brasil.

DURAÇÃO: 102 minutos
DIREÇÃO: Julia Solomonoff
ROTEIRO: Christina Lazaridi, Julia Solomonoff
PRODUÇÃO: Felicitas Raffo, Andrés Longares,
Natalia Agudelo Campillo, Nicolás Herreño Leal, Lucía Murat, Jaime Mateus Tique, Elisa Lleras
COPRODUÇÃO: Isabel Coixet, Juan Perdomo, Georges Schoucair, Bogdan Apetri, Daniel Chabannes
FOTOGRAFIA: Lucio Bonelli

Trailer: