O filme norueguês Thelma, do diretor Joachim Trier, estréia dia 30/11, e, a convite da distribuidora Mares Filmes, fui conferir, na última 6ª feira.

Trata-se da estória de uma adolescente super protegida pelos pais, que vai estudar na cidade grande, e morar sozinha.

Ela tem muita dificuldade em fazer novas amizades, e também em se libertar da influência pesada dos pais em sua vida, controlando todos seus passos.

Enquanto tenta se tornar um pouco mais sociável, o que é bem difícil por seus pais serem cristãos, e radicais, e terem internalizado nela idéias rígidas sobre o que é pecado (quase tudo para um jovem), ela tem sonhos vívidos e lembranças tristes de seu passado, envolvendo um irmão bebê e sua paraplégica.

As suas visões e memórias mesclam-se bastante com a natureza, em a água. Ao lado de sua casa havia um lago, que congelava no inverno, na casa uma banheira, e na ela faz natação. Em muitos momentos ela aparece tentando buscar algo ou alguém e alguma dessas águas, e também tentando “respirar”, tentando não sufocar na imensidão .

Um dia, ao olhar para a colega de turma Anja, interpretada por Kaya Wilkins, na biblioteca, ela cai ao chão e começa a convulsionar. Ao mesmo tempo pássaros se chocam com a janela da escola e caem mortos.

Ela decide, então, em segredo, fazer exames neurológicos para saber se tem algum problema físico. Os médicos dizem que não há nada que provoque os sintomas, mas exploram seu histórico médico familiar, e isso a faz investigar um pouco mais sua família.

Enquanto passa por esses conflitos, desenvolve uma imensa paixão  por Anja, que corresponde, mas não sabe se irá conseguir realizar com essa pessoa tão solitária, confusa, calada, e medrosa.

O pode lembrar um pouco “Carrie – A Estranha“, somente pelo fato de ser uma menina adolescente com supostos poderes paranormais, mas, nesse caso, ela não é vítima de buylling por parte de seus colegas, e sim, vítima da opressão familiar e religiosa em sua vida.

Seus pais aparecem como um porto seguro, como a verdade, como pessoas a quem ela tudo deve. Mas se não se livrar dessa influência, ela nunca conseguirá se tornar uma adulta.

É um filme que retrata bem a adolescência sobre o ponto de vista da descoberta da sexualidade e da busca de auto-afirmação, mas no que se refere ao simbolismo das imagens, é bastante confuso. O suposto aspecto sobrenatural de suas lembranças e visões também poderia ser mais bem trabalhado.

Tem uma estética interessante, é bastante delicadeza ao mostrar o amor das meninas. Falta somente um pouco de coerência.

É o candidato norueguês ao Oscar.

Roteiro: Joachim Trier, Eskil Vogt.
Elenco: Eili Harboe (Thelma), Kaya Wilkinsn (Anja),
Henrik Rafaelsen (Trong, pai), Hellen Dorrit Petersen ( Unni, a mãe) .
Duração: 117 minutos.