Escrevendo tudo agora, esse meu final angustiante muito pensado, porém pouco planejado como quem ansiasse que esse momento nunca chegaria, ou muito planejado e pouco pensado achando que era o dono da palavra, concluo que o trabalho de um escritor é um tanto quanto fácil de se lidar porque não lidamos com a veracidade de fatos, já que não precisa encarar a verdade consumada com temor, tudo não passa da sua imaginação de seu criador. Não precisamos nos arriscar tanto como as outras profissões, escrevemos apenas pela aprovação de nossos leitores e pelo sucesso da obra que criamos, ou por e grandes ambições como a grande maioria dos escritores que conheço hoje em dia.

Um escritor escreve, na maioria das vezes na segurança de seu lar, sem ter que prestar conta do que esboça ali, afinal, prestar conta para que se é tudo inventado, não é mesmo? Seus leitores saberão que tudo ali é apenas fruto de sua imaginação e criatividade.

Mas quando essa barreira e limitação são ultrapassadas pelo criador? Até onde um escritor vai com seu na ousadia sem de se arriscar e se envolver com a verdade dita? E o que ele tem a perder e a ganhar com todo esse risco? Quais riscos são esses?

“Quando brincamos com a verdade, mexemos com pontos de vistas, e podemos modificar vidas, na maioria das vezes um risco é muito sério e fatal, envolve mais do que apenas nós mesmos, arriscando nossas próprias cabeças ainda e reputação por uma de nossas criações.”

Um trabalho de um escritor é sim de certo modo muito fácil, ele não se arrisca, a maioria não arrisca sua própria pele e de quem ama contando sobre eles em sua obras. A verdade é que eles preferem se manter na zona de conforto, esboçando somente aquilo que eles sabem que os leitores aceitarão. Poucos, muito poucos ousaram ir além, com medo e coragem de mãos dadas.

Onde me arrisco aqui? Me arrisco dizendo que um Enzo existe? Que meu afeto por ele é real apesar de inúmeras desaprovações? O que você leitor saberá que é verdade ou não depois de virar todas essas páginas? Seria justo expor Enzo em situações diversas aqui como você viu em certas cenas? O que foi ou é verdade ou mentira daquilo que contei e que contarei?

Acredito que esse é o único ponto onde o escritor realmente se arrisca mais, se arrisca na incerteza de dar o rosto pra bater quando sua , embora também inventada, é tão real quando um hematoma sobre sua pele. O trabalho de um escritor se torna difícil quando ele ousa brincar com a e encara o pior do que virá de si mesmo e de quem ama, ele se arrisca quando não cria algo que foi feito exclusivamente para vender e sim pra chocar modificando para o bem ou não de seus leitores.

“Sou incapaz de chocar os outros mais do que a mim mesmo!”

Minha história com Enzo não foi feita para ser somente rentável, tampouco chocante, foi feita para me expulsar de mim mesmo junto com tudo o que sinto. No momento em que realmente desliguei aquele celular, até o momento em que termino os últimos capítulos desse livro é possível concluir o risco que posso estar correndo.

O risco de um escritor quando eles envolvem quem gostam em sua criação, quando mostram a qualquer pessoa sua história no momento em que ele e os personagens que vivem fora das páginas sabem o que é real e aquilo que não é, é o mesmo risco de gritar para a humanidade parte de sua vida sem se importar se ela é podre ou não e estando preparado ou não para ouvir as duras críticas que serão impostas a ele, e tendo somente como certeza que lhe reste depois é de se lançar no ímpeto segurando o medo do lado esquerdo e a coragem do lado direito, disposto a usá-los como arma contra o cruel e triste destino, na esperança que ele venha com mais passividade.

(Texto retirado do livro “Um Anjo Chamado Enzo” para reflexão.)
Por: Gabriel Mariano