Baseado na peça vencedora do prêmio Olivier Blackbird, do aclamado dramaturgo escocês
David Harrower, o filme de Benedict Andrews UNA é estrelado pela indicada ao Oscar Rooney
Mara (CAROL e MILLENIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES) e o indicado ao
Emmy Ben Mendelsohn (BLOODLINE, ANIMAL KINGDOM, ENCARCERADO e ROGUE ONE: UMA
HISTÓRIA STAR WARS) como os protagonistas Una e Ray.

Pelo o que pude perceber é o primeiro trabalho do diretor nos cinemas; mas, apesar de certa inexperiência, ele veio para botar presença e fazer com que a plateia se remexa em comoção.

O elenco também é de peso: para os protagonistas podemos contar com a talentosa Roony Mara e o já bem conhecido Ben Mendelsohn. Eles dão um show de interpretação e chega a ser assustadora a maneira com que eles absorvem os personagens, deixando a própria plateia de mãos atadas.

E por que eu digo plateia?

Porque o tempo todo a gente tem a sensação de estar em uma peça de teatro, ao invés de em uma sala de cinema. E não é por menos! O diretor cresceu dirigindo peças e buscou levar tudo isso para dentro da tela.

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Mas, afinal, do que se trata esse filme?

Una vai contar a história da protagonista que dá nome à obra, que foi vítima de pedofilia aos 13 anos de idade, por um amigo de seu pai: um vizinho.

Soa angustiante pra você?

Imagine então a sensação de entrar em uma sala de cinema, com essa base, e perceber que a vítima na verdade sofre de Síndrome de Estocolmo, e é totalmente apaixonada por quem tirou sua inocência. Na cabeça de Una, Ray é o amor de sua vida. O homem com quem gostaria de passar todos os dias de sua existência, e no filme a gente precisa ver a trajetória dessa vítima, hoje mulher, que quer reencontrar esse homem, e fazer uma série de perguntas.

Segundo o diretor ele não tá ali para dizer quem está certo, quem está errado. Inclusive nós temos a sensação de que o filme em si, aquele narrador silencioso, fica o tempo todo em cima do muro. Imparcialidade? Não é a palavra que usaria. Soa mais como um: O que você vê?

O filme joga para nós o julgamento. O filme até mesmo deixa para que nós decidamos o que é aquilo e, acreditem, tem gente que ainda acha que se trata de uma história de amor.

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Opiniões a parte Una trata de pedofilia, e da maneira com que esse ato pode destruir e transformar a vida da vítima até seu último suspiro. Não é um filme para qualquer estômago: deixo aqui inclusive meu trigger warning para que não o assista se esse tipo de temática te desperta emoções ruins.

Porque, acredite, até quem não sofreu com isso saiu da sala em prantos.

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Com cômodos claustrofóbicos, corredores que mais parecem labirintos, e luzes frias, vazias; o filme coloca a sanidade da plateia à prova, bem como a moral. Ele adentra a mente sem pedir licença. Afinal, sua única escolha foi entrar naquela sala. Entrou? Você vai precisar lidar com as consequências, sozinho. Porque mesmo com companhia você vai se sentir preso, encurralado, forçado a racionalizar sobre algo que não tem explicação.

Assim como a própria Una que, de corpo e alma, fora destruída.


UNA
Inglaterra – EUA – Canadá | 2016 | 94 min. | Drama

Título Original: Una
Direção: Benedict Andrews
Roteiro: David Harrower
Baseado em na peça “Blackbird”
Elenco: Rooney Mara, Ben Mendelsohn, Riz Ahmed
Distribuição: Mares Filmes

Sinopse:

Baseado na peça “Blackbird”, escrita por David Harrower, UNA conta a história de Ray (Ben Mendelsohn) e Una (Rooney Mara), um casal que já teve um complicado relacionamento quando ela tinha apenas 12 anos. Quinze anos depois, eles se reencontram e Ray é confrontado com o passado quando ela chega sem avisar em seu escritório buscando respostas sobre o abuso que sofreu. Ray fez uma nova vida para ele, mas com esse inesperado reencontro, os dois vão precisar revisitar sua relação, que trará memórias enterradas e desejos inconfessáveis, além de escavar um inabalável amor danificado.

13 de Abril de 2017 nos cinemas brasileiros

Por: Stefanie Oliveira para O Gabriel Lucas